A melhor


Já conheço ela há quatro anos, mas ontem a "redescobri" e passei nada menos que dez horas conectado nela. Quem é? Não, não pensem besteiras!

É a rádio online de classic rock da Virgin. Fantástica! AC/DC, Beatles, Zeppelin, Stones, Kiss, Van Halen, Doors, Janis, Hendrix, enfim, tudo o que de melhor existe no mundo das guitarras estão lá. E os sons não se repetem. As bandas, sim, mas isso eu acho ótimo!

Curtam bastante! Cliquem aqui e divirtam-se!
Não acredito...
Vindo dele, não dá para acreditar, mesmo. Último post do blog "Godard City", de Rogério Skylab.

NOTA DE FALECIMENTO

Morreu hoje à tarde, acometido por um infarto fulminante, o jovem compositor Rogério Skylab. Mesmo jovem, Skylab era dono de grandes sucessos populares – músicas caídas no gosto popular e que no entanto lhe davam um profundo pesar. A peculiaridade disso deve-se ao fato de que Skylab sofria com tudo que tivesse origem popular. Devotou horas em cima de “ULYSSES” de James Joyce. Bebia na fonte de John Cage, Varese e Strawinski. Expressava desdém por compositores populares como Martinho da Vila, Zeca Pagodinho e Caetano Veloso. O trágico em sua vida é que quando esboçava algum trabalho erudito, frustrava-se. E frustrava-se sobretudo porque constatava que o seu trabalho era cópia. Passou mesmo a desenvolver, sadicamente, a procura por semelhanças que o fizessem demovê-lo de seu trabalho. Constatada a semelhança, desistia. Pra piorar a situação, ia distraidamente construindo alguns sambas (estilo que odiava), alguns frevos, alguns maracatus. Ficava profundamente consternado quando constatava que seu nome era lembrado justamente por essas fáceis canções. Em função delas, ganhou prestígio, dinheiro e reconhecimento nacional, mas, em sua intimidade, ganhou também um profundo pesar. Hoje, às 17:30 horas, em plena rua do Ouvidor, bem próximo à Confeitaria Colombo, após ter assistido a uma exposição da artista plástica Beatriz Milhazes no Centro Cultural do Banco do Brasil, o compositor Rogério Skylab sofreu um infarto fulminante, vindo a falecer em meio aos transeuntes. O enterro está marcado para amanhã, 15:00 horas, no cemitério do Caju.

Se morreu, mesmo, foi uma grande pena. Se não, vá se foder, Skylab, seu mórbido de merda!
O triste adeus de Mel Galley
Por Marcelo Tuvuca Freire



Mel Galley é um guitarrista britânico, nascido em Canock, na Inglaterra, em 8 de março de 1948. Ou seja, está próximo de completar 60 anos. Ficou famoso por tocar algum tempo com o Whitesnake, mas se destacou mesmo em sua banda anterior, o power trio Trapeze, ao lado de Glenn Hughes (baixista, que foi do Trapeze para o Deep Purple) e Dave Holland (baterista, que foi do Trapeze para o Judas Priest).

Infelizmente, esse aniversário do guitarrista pode não acontecer. No começo deste mês, Galley revelou que está com câncer terminal e tem poucos meses de vida. Além disto, escreveu uma carta de despedida aos seus fãs. Reproduzo a nota abaixo, traduzida pela Rock Brigade.

"Os médicos já diagnosticaram minha condição como 'terminal', porém, em vez de ficar sentado me lamentando, quero usar da melhor maneira possível o tempo que me resta com minha família e meus amigos. Fui abençoado com uma esposa fantástica e dois filhos de quem me orgulho muito, por isso, no momento, meu grande objetivo é conseguir celebrar meu aniversário de 60 anos em março. Eu tive uma vida muito boa, viajei o mundo inteiro, tive experiências maravilhosas, encontrei todo tipo de gente e toquei com os melhores músicos. Quando comecei, nos anos 60, jamais imaginei que poderia chegar tão longe. Não esquecerei experiências como tocar para 100 mil pessoas em Dallas (Texas) no mesmo festival com Rolling Stones, The Eagles e Montrose, em 1975. Também foi inesquecível o Monsters Of Rock (Inglaterra) de 1983, quando eu estava no Whitesnake. São tantos tesouros em minha vida que seria impossível lembrar de todos."

"Depois que minha doença foi divulgada, recebi mensagens do mundo inteiro, inclusive de amigos com quem eu não falava há muitos anos. Eu honestamente não imaginava que tantas pessoas ainda se lembravam de meu trabalho e apenas sinto não poder tocar todos os shows que eu havia planejado para este ano", diz ele, para finalizar: "Agradeço a todos pelo apoio ao longo de tantos anos. Vocês são a música, eu apenas estava numa banda".

Essa frase final de Galley é uma referência a uma das músicas mais famosas do Trapeze, de nome "You Are the Music, We`re Just the Band", também o título do terceiro álbum do grupo.

Na verdade, o Trapeze começou com cinco integrantes. A viagem do primeiro disco (de 1970), ainda um pouco na veia pop/psicodélica dos anos 1960, pode não ter sido a melhor das estréias. Mas, quando a banda se estabeleceu apenas com Galley, Hughes (também vocalista, além de baixista) e Holland, as coisas começaram a funcionar.



Muito influenciado pelo funk, o trio gravou dois clássicos: Medusa (1970) e o já mencionado You Are the Music, We`re Just the Band. Basicamente, são dois discos pesadões de funk rock, com ótimas baladas e uma pegada soul no vocal de Hughes, o que ele também carregaria consigo para o Deep Purple (para desespero de Ritchie Blackmore).

Como registro, deixo as músicas "Your Love is Alright", "Touch my Life", "Seafull", "Black Cloud", "Way Back to the Bone", "Coast to Coast" e a própria "You Are the Music" para se conhecer um pouco mais sobre essa banda. Vale a pena ouvir. Para mim, o Trapeze lembra um pouco aqueles bons times de futebol do interior onde vários jogadores aparecem em um determinado campeonato e aí vem os times grandes e compram os caras. E cada um segue um caminho diferente.

Foi isso que aconteceu com a banda. Primeiro, Hughes zarpou para o Purple, no lugar de Roger Glover, que saiu junto com Ian Gillan. Gravou três discos com os caras, trouxe as influências funk para a banda, mas quando o Purple encerrou as atividades em 1976, por causa das fracas perfomances ao vivo na turnê do ótimo Come Taste the Band (1975), aliadas aos sérios problemas de Hughes e do guitarrista Tommy Bolin com as drogas. Bolin morreu de overdose de heroína em dezembro de 76, oito meses após o fim do Deep Purple, que só voltaria (com a formação clássica e sem Coverdale e Hughes) em 1984.

Nesse meio tempo, o Trapeze continuou batalhando, lançando mais alguns discos com uma nova formação. Depois de se reunir rapidamente com Hughes após o fim do Purple, a banda seguiu sem seu baixista original, gravou mais um álbum (Hold On, 1978) e encerrou as atividades no final da década de 1970, quando Holland seguiu para o Judas. Depois, Galley se juntou ao Whitesnake.

Enquanto Hughes batalhou contra as drogas e cantou com todo mundo, Holland se deu bem no Judas, apesar de sofrer algumas críticas devido ao jeito "durão" de tocar. Depois de sair do Priest para dar lugar ao "metal" Scott Travis, Holland se reuniu por algum tempo com Hughes e Galley, em 1991, e depois acabou ficando famoso por ter sido preso há uns três anos, acusado de abusar sexualmente de um aluno de bateria de 17 anos.



Quanto a Galley, que motivou esse post, ele entrou no Whitesnake por volta de 1982, no lugar do guitarrista Bernie Marsden, fazendo dupla com o outro guitarrisa, Mick Moody. Essa ainda era a fase mais blues do grupo de David Coverdale, mas que já caminhava em direção ao hard rock "poser". Galley gravou um pedaço de Saints and Sinners (1982) e outro pedaço de Slide It In (1984). Digo "pedaço" porque ambos os álbuns foram produzidos em um momento de mudança de formação do Whitesnake, não ficando muito claro o que foi gravado por quem. De qualquer maneira, Galley escreveu diversas músicas de Slide It In em parceria com Coverdale, como a clássica "Love Ain`t No Stranger".

A saída de Galley da banda foi, no mínimo, estranha. De acordo com a biografia do Whitesnake escrita por Vitão Bonesso, na seção "Background" da edição número 22 da revista Roadie Crew (julho/agosto 2000), Galley brincava com carrinhos de supermercado com John Sykes (que tinha entrado no Whitesnake na vaga de Mick Moody) em um dia de folga da banda, depois de tomarem umas e outras, no início de 1984. Sykes acabou passando com um carrinho por cima da mão esquerda de Galley, que teve todos os seus tendões rompidos. Ele acabou não retornando mais à banda, até porque já havia brigado com Coverdale por causa da versão norte-americana de Slide It In, onde muitos de seus trechos de guitarra desapareceram devido a problemas com produtores e remixagens. Acabou perdendo a histórica apresentação da banda no Rock in Rio, em janeiro de 1985.

De qualquer maneira, Galley tocou no festival Monsters of Rock de 1983, onde o Whitesnake foi o headliner. Foi o show mais famoso que o guitarrista fez enquanto esteve na banda, até citado pelo mesmo em sua carta de despedida. Carta essa que é emocionante, encorajadora e, ao mesmo tempo, triste. Mas como ele mesmo disse, o cara fez de tudo na vida. Depois de tanto Rock 'n' Roll, que Mel Galley descanse em muita paz.



Boas bandas que você (talvez) nunca ouviu falar...
Vou deixar a música falar por si. Esta banda se chama Trapeze, cujos integrantes são nada menos que Glenn Hughes, Mel Galley e David Holland.



Isso é um aquecimento para o próximo texto, feito pelo Marcelo Tuvuca, sobre o Mel Galley e sua comovente reta final de vida.
Atlantic Records: seis décadas de um sonho



Por Rodrigo Mattar

Pra começo de conversa, eu sempre fui curioso para saber da história de selos e gravadoras musicais. Um deles chamou a atenção pela diversidade em seis décadas de existência: do jazz ao rock and roll, do blues ao rap: a Atlantic Records.

A companhia veio ao mundo pouco depois do fim da II Grande Guerra. O ano era 1947 e Herb Abramson juntou-se ao turco radicado nos EUA, Ahmet Ertegun, para criar o selo que de saída lançou diversos artistas do jazz e do rhythm and blues. O sucesso imediato foi alavancado pelas contratações de Ray Charles, Aretha Franklin, Booker T. & MG’s e Otis Redding.

Em meados dos anos 50, Nesuhi – o irmão mais velho de Ahmet – entrou na Atlantic para dirigir a divisão de jazz e de uma só tacada, Charles Mingus e John Coltrane assinaram contrato para gravar discos pela companhia – cada vez mais em crescimento.

Tanto que a partir da Atlantic, filhotes nasceram: a ATCO, a Spark e a Lava Records. Jerry Wexler, braço-direito de Nesuhi Ertegun, passou a “pilotar” a Stax Records, selo baseado em Memphis, no Tennessee. A associação teve fim em 1968 – mesmo ano em que a Atlantic foi absorvida pela Warner.

Antes, porém, por indicação de Robert Stigwood, a Atlantic contratou um power-trio formado por Eric Clapton, Ginger Baker e Jack Bruce: o Cream, que ao gravar nos estúdios da companhia o lendário disco “Disraeli Gears”, fizeram mais esporro do que qualquer outro artista ou grupo que passara por ali.

O Cream só seria superado em termos de altura sonora por duas grandes bandas dos anos 70 que brilharam no selo dos irmãos Ertegun: o Led Zeppelin e o AC/DC. Page, Plant e companhia foram contratados da Atlantic até 1973 – período em que lançaram a sensacional seqüência dos quatro primeiros discos da banda e o excelente filme “The Song Remains The Same”, inexplicavelmente batizado no Brasil com o esdrúxulo título de “Rock é Rock Mesmo” – que espantou muita gente dos cinemas.

Os australianos do AC/DC tiveram vida um pouco mais longa, pelo sub-selo ATCO, mostrando que o heavy metal podia perfeitamente conviver com o jazz e o R’n’B de Aretha Franklin. E em meados de 1989, a Atlantic sofreu sua primeira grande perda: Nesuhi Ertegun, que fora designado pela Warner Communications o primeiro presidente do selo WEA – que chegaria ao Brasil nos anos 70 com André Midani, ex-Philips, morreu aos 72 anos de idade. Além de se consagrar como uma lenda da história do disco, Nesuhi teve importantíssimo papel na formação do New York Cosmos – o time de Pelé nos EUA, de propriedade da Warner.

A Atlantic fundiu-se com a MCA em 1995 e oito anos depois, num investimento monstro estimado em US$ 2,6 bilhões, a Time-Warner vendeu a divisão de música da companhia a um grupo de investidores. Mas seus selos tradicionais – Atlantic e Elektra permaneceram – e permanecem mais vivos do que nunca.

Como tudo passa nessa vida, Ahmet Ertegun também foi-se embora aos 83 anos, não sem antes deixar outro legado: a criação do Rock And Roll Hall of Fame em Cleveland, Ohio. A importância do executivo turco para a música pôde ser medida no fim do ano passado, quando o Led Zeppelin, após inúmeras tentativas de reunião, tocou em Londres em benefício da Ahmet Ertegun Foundation.

Com Jason Bonham nas baquetas e três dos membros originais – Robert Plant, Jimmy Page e John Paul Jones, o Zeppelin voou alto como nos velhos tempos. Os irmãos Ertegun hoje fazem parte da história, tal como o grupo britânico. Mas as idéias e os sonhos deles permanecem vivas e pulsantes como um rock and roll muito bem tocado.

Alguns artistas que passaram pela Atlantic Records, de A a Z:

ABBA, AC/DC, Alice Cooper, Aretha Franklin, Bad Company, Bad Religion, Booker T & MG’s, Chic, Cream, Dr. Dre, Genesis, Hootie & The Blowfish, INXS, Iron Butterfly, Julian Lennon, Led Zeppelin, Lynyrd Skynyrd, Manhattan Transfer, Melvins, Modern Jazz Quartet, Otis Redding, Peter Frampton, Peter Gabriel, Ray Charles, Rolling Stones, Skid Row, Snoop Doggy Dogg, Solomon Burke, The Temptations, Testament, Tracy Chapman, 2Pac, Yes.
Irreverência, guitarras e Rock 'n' Roll

Por Marcelo Tuvuca Freire

Meu primeiro post (de muitos) no Rock Tales, grande idéia do amigo Bruno Vicaria que eu abracei desde o início, será uma das minhas maiores e melhores experiências com o Rock 'n' Roll.

Em agosto do ano passado, o Van Halen anunciou que se reuniria com David Lee Roth, seu vocalista original. Seu último show com a banda havia sido na turnê do disco "1984", o clássico que continha Jump, Panama, Hot For Teacher, I'll Wait e outras grandes músicas.

Eu já planejava ir para Toronto em setembro, e quando descobri sobre o show tentei comprar o ingresso pela internet. Tinha conseguido isso com o Rush, que eu também presenciei em terras canadenses, mas não foi possível com o VH. No meu segundo dia em Toronto, fui à bilheteria do Air Canada Centre e consegui comprar. Era um péssimo lugar, ruim de assistir, mas pra ver Eddie e Diamond Dave juntos valia muito a pena.

Fui ao ACC para assistir ao show, bem diferente de como seria aqui. Lá, o público se empaturra de pipocas, hot-dogs e refrigerantes. Não existe confusão em relação a ingressos: você senta onde está marcado. Mas, diferentemente do que aconteceu no show do Rush que eu assisti (no mesmo Air Canada Centre), no VH a galera agitou bastante e cantou as músicas. Nada comparado com o que aconteceria aqui, obviamente. Aliás, eles deveriam voltar para os brasileiros conferirem a nova formação (Eddie, Alex, David e Wolfgang Van Halen, filho de Eddie). Para quem não se lembra, o Van Halen tocou aqui em 1983, no ginásio do Ibirapuera, durante a turnê do disco "Diver Down".

Abaixo, está o review que eu escrevi para a revista Rock Brigade, publicado no mês de dezembro. Nele, estão todos os detalhes do show, inclusive set-list. Essa pequena apresentação foi apenas para ambientar o que foi vivenciado no ACC. O que o show me provou foi a necessidade de David Lee Roth voltar à banda.

Para mim, não interessa que o cara é um grande mala. Nem que ele e Eddie não se suportam. Também não sei quanto tempo essa reunião vai durar. O que importa é que David claramente inspira Eddie a tirar o melhor de sua performance. E esse cara é um dos mais criativos guitarristas da história do Rock.

Outro ponto alto foi o set, baseado apenas nas músicas de David com a banda (1978-84). Eu adoro Sammy Hagar (que ficou no VH entre 1985 e 1996, voltando para uma turnê em 2004), mas acho que o fato de o "Red Rocker" não cantar muitas músicas da época de Roth fez com que Eddie sentisse muita falta de tocar esse material. Afinal, foi essas canções que fizeram a banda estourar no mundo inteiro. Dava pra ver o tesão na cara do guitarrista, empolgadaço, dedilhando a maravilhosa Ì'm the One, do primeiro disco.

O show foi realmente inesquecível, um dos melhores que eu já assisti. A banda esteve (quase) perfeita, e o set foi inacreditável. Mas isso eu deixo para vocês lerem no review.

Um abraço a todos.

ET: as fotos foram capturadas por Eric Hodama, um amigo meu, que ficou em um lugar bem melhor do que o meu.

Van Halen – Air Canada Centre, Toronto
7/10/2007

Review por Marcelo Freire

Quando os irmãos Van Halen anunciaram uma reunião com David Lee Roth, em agosto deste ano, a primeira pergunta que todos fizeram foi: será que desta vez rola mesmo?

Desde que Sammy Hagar saiu da banda, em 1996, uma possível turnê com seu vocalista original sempre foi cogitada. Nesse meio tempo, Gary Cherone, ex-Extreme, entrou e foi demitido do grupo, que depois saiu em turnê com o próprio Hagar durante alguns meses, em 2004, até as brigas entre os integrantes cancelarem os planos da banda. Dessa maneira, a volta (até o momento provisória) de David Lee ao Van Halen não é exatamente uma surpresa.

A surpresa maior ficou por conta do desprezo dos irmãos por Michael Anthony, baixista da banda desde 1974. Em seu lugar, o guitarrista e o baterista trouxeram ninguém menos que o filho de Eddie, Wolfgang Van Halen, de apenas 16 anos. É nesse contexto que o Van Halen sobe ao palco do lotado Air Canada Centre, em Toronto, para dar início ao quarto show desta turnê.

Eddie entra sorridente, pulando e desferindo o riff de You Really Got Me, para delírio do público canadense. David aparece agitando uma bandeira vermelha, no fundo do palco. A performance da banda é empolgante, assim como o abraço entre David Lee e Eddie ao final da canção.

O set-list, logicamente, inclui apenas músicas da fase inicial do grupo norte-americano, até 1984. O show prossegue com I'm the One e Runnin' With the Devil, e Roth prova que ainda está em ótima forma. Mas o destaque mesmo é Eddie Van Halen. Ele pode ser controverso , mas quando está no palco se transforma em um deus da guitarra. Mais importante, parece tocar como se fosse seu último show, no alto de seus 52 anos. O guitarrista transmite para a platéia toda essa energia, distribuindo sorrisos, como estivesse fora dos palcos há duas décadas.

A banda continua despejando seus hits com Romeo Delight (música de abertura da única turnê da banda por terras brasileiras, em 1983), a enérgica Somebody Get me a Doctor (um dos melhores riffs já compostos por Eddie), Beautiful Girls e a 'alegre' Dance the Night Away, muito bem-recebida pela platéia.

Nesse momento, já era possível notar que a química entre Eddie e David está sempre acesa, mesmo que os dois estejam bem longe de ser grandes amigos. Roth completa como ninguém a performance agitada e cheia de energia de Eddie. Apesar disso, o vocalista demonstra uma certa comodidade no palco, se poupando em algumas músicas. Sua performance, na verdade, se assemelha muito àquela do festival Live' n' Louder de 2006, em São Paulo. Mesmo assim, David Lee Roth sabe hipnotizar a platéia e deixá-la em suas mãos durante todo o tempo.

Após a banda tocar Atomic Punk, pérola do primeiro disco, o vocalista mostra suas habilidades sonoras ao imitar o som de uma moto com a sua boca, 'duelando' com Eddie Van Halen em Everybody Wants Some. O grupo segue o set-list –muito bem escolhido e estruturado, por sinal– com So This is Love?, Mean Streets e (Oh) Pretty Woman, levantando o público com um cover que todos conhecem. Ao final da música, é a vez de Alex Van Halen demonstrar suas habilidades, executando um solo de bateria simples e não muito longo, mas de ótimo gosto.

Unchained é a próxima, e David, como de costume, mais grita do que canta tal música, deixando grande parte das letras para pai e filho Van Halen, que fazem os backing vocals. E eles não decepcionam, demonstrando afinação e fidelidade às versões de estúdio. Se compararmos a performance do Van Halen do início da década de 1980 com a desta turnê, nota-se que os backing vocals melhoraram consideravelmente.

A balada I'll Wait tranquiliza um pouco o ambiente antes de And the Cradle Will Rock, talvez a música mais bem executada do show, pesada e muito fiel à versão original. É a vez de Hot for Teacher levantar o público, seguida por Little Dreamer, Little Guitars, Jamie's Crying e Ice Cream Man.

Com o show chegando à sua parte final, é preciso analisar a performance do 'moleque' Wolfgang Van Halen. Primeiro, é claro que Michael Anthony faz muita falta para o grupo. O baixista, sempre em segundo plano, ajudou a criar a imagem e o estilo do Van Halen durante os 30 anos de existência da banda. Com apenas 16 anos, esse é um fado que Wolfgang precisa superar. Ele ainda é inseguro e tímido no palco, sem saber direito onde ficar. Mas não cometeu erros e sempre olhava o pai como exemplo, literalmente, indo atrás de Eddie durante a apresentação.

O guitarrista busca dar moral para o filho, 'duelando' e fazendo brincadeiras com Wolfgang. De qualquer maneira, é muito estranho ver um show do Van Halen sem Michael Anthony no palco. Depois de Ice Cream Man, a banda inicia um de seus maiores clássicos, Panama, que deixa todos em pé antes do solo de Eddie. O guitarrista se joga no chão (sem a agilidade de outros tempos, obviamente), executa trechos de músicas instrumentais (sendo Eruption a mais fácil de reconhecer) e lança um sonoro "we're a fuckin' band now!" antes de Ain't Talkin' 'Bout Love, outro clássico que faz todos no Air Canada Centre cantarem.

Após o vigésimo abraço entre David e Eddie, a banda se despede antes de voltar para o bis. Logo depois, ouve-se a introdução 1984, que esquenta o ambiente para Jump, maior hit da banda em sua história. Confetes caem sob o público e David Lee Roth 'chama' a platéia para cantar com um gigante microfone inflável. O vocalista ainda demonstra suas habilidades no kung-fu, fazendo malabarismos com um mastro durante o solo de teclado de Jump.

Ao final da apresentação, enquanto todos saíam do Air Canada Centre com um sorriso 'colado' no rosto, vêm as perguntas. Até quando essa reunião vai durar? Será que os irmãos Van Halen, famosos pelo temperamento complicado, aguentarão o imprevísivel e inconseqüente David Lee Roth por muito tempo? Existem planos para um novo disco de estúdio? Teria Michael Anthony espaço nessa nova encarnação da banda?

Nada disso pode ser respondido ainda. Mas uma coisa é certa: a equação Eddie Van Halen + David Lee Roth é igual a Van Halen. Roth tem o espírito boêmio, irreverente e festeiro do grupo, e Eddie reconhece isso. Resta saber por quanto tempo a lua-de-mel vai durar.



Em tempo: além de nos presentear com esta belíssima resenha, Tuvuca ainda me trouxe uma camisa da turnê. Não saiu barato, mas eu posso dizer que sou o único por aqui que tenho ela! Valeu, fera!

Vicaria

A loira, o ruivo e a branquinha



Quem disse que os roqueiros nacionais não têm histórias onde as drogas proporcionaram momentos hilários e constrangedores ao mesmo tempo (dependendo do ponto de vista, claro)?

As drogas, principalmente a cocaína, são uma praga, mas neste caso específico, renderam uma história que, hoje em dia, graças à "limpeza interna" deste cidadão, pode ser considerada hilária.

Nando Reis não é apenas conhecido como o cantor de "Marvin" e parceiro eterno de Cássia Eller, mas também por entrar completamente alucinado em um programa de televisão ao vivo.

O show televisivo em questão era o Programa Ana Maria Braga, na Rede Record, em 1997. Antes de ir pra Globo, a loira apresentava um programa semanal toda terça à noite, além do vespertino diário.

Pois bem. Os Titãs estavam no auge, após o lançamento do álbum "Acústico" e suas presenças em programas de auditório eram obrigatórias. E, em um dos intervalos do programa, segundo o livro "A Vida Até Parece Uma Festa", de Hérica Marmo e Luiz André Alzer, Nando deu uma de Tim Maia e foi para o banheiro dar o famoso "tirinho".

De acordo com os autores, foi apenas uma carreira, mas eu duvido. E Nando voltou alucinado ao palco. Quando era a vez do grupo aparecer, Nando resolveu ler uma carta que uma fã mandou para eles via produção do programa.

Resultado? Doidão, Nando emendou uma história na outra e não parou de falar. E, ao tentar contar sobre uma situação que acontecera na Rede Globo, o ruivo tentou evitar citar o nome da concorrente, repetindo a seguinte frase:

"Aconteceu na oooutra emissora... Na oooutra emissora... Na ooooutra...."

Até a loira tirar o microfone de sua mão e continuar o assunto com os outros titãs como se nada tivesse acontecido. E, no dia seguinte, o hoje falecido Marcelo Fromer recebera uma ligação do jogador e amigo Casagrande, que comentou:

"Eu vi vocês ontem na ooooutra emissora!"

É preciso dizer que Nando Reis tomou uma bela comida de rabo da "Liga", comissão organizada pelos próprios titãs para darem broncas em quem cometer erros públicos.
Iron Maiden: uma breve análise do que aguardam os brazucas

Por Maurício Deho

Começou a turnê do Iron Maiden. Por mais que a banda já tenha passado pelo Brasil inúmeras vezes, parece que nunca uma aparição do hoje sexteto inglês em terras tupiniquins será a ser um evento comum, encarado apenas como mais uma turnê. Tudo começou, por sinal, naquele Rock In Rio de que o Bruno falou abaixo, na primeira apresentação deles por aqui e que estará na nova versão do DVD Live After Death (IMPERDÍVEL, não?!).

Melhor para o show, melhor para a banda e melhor para os fãs, que só tem a aproveitar deste clima. Mas a festa em 2008 é algo diferente do normal, pelo menos é o que promete a “Somewhere Back In Time World Tour”. Ela é a continuação da turnê da primeira parte do DVD Early Days, em que os reis do NWOBHM (New Wave of British Heavy Metal) apresentaram apenas clássicos de seus três primeiros álbuns, tocando canções que não figuravam a tempos em seu set list, como a fantástica “Phantom of The Opera”.

Desta vez, em São Paulo, Curitiba e Porto Alegre, ao invés de assistirem à tradicional turnê promocional do último álbum da Donzela de Ferro (que seria A Matter of Life And Death, mais uma da polêmica nova fase do Iron, do tipo “ame-ou-odeie”), as músicas prometidas são as que englobam os primeiros álbuns, Iron Maiden, Killers e The Number of the Beast, e ainda Piece of Mind, Powerslave, Sowhere in Time e Seventh Son of a Seventh Son. Entendeu? Se não, basicamente pegue o set list do legendário Live After Death e acrescente estes dois últimos. É claro que surgem rumores de que, para a América Latina, seriam incluídas faixas mais recentes, já que o Brasil não foi rota da turnê do CD.

Bom, o fato é que a turnê começou com o show em Mumbai, na Índia, dia 1º de fevereiro, e contou com o seguinte set list:



Intro – Churchill’s Speech/Aces High/2 Minutes To Midnight /Revelations/The Trooper/Wasted Years/Number of the Beast/Run to the Hills/Rime Of The Ancient Mariner /Powerslave/Heaven Can Wait/Can I Play With Madness/Fear of the Dark/Iron Maiden/ Moonchild/The Clairvoyant/Hallowed Be Thy Name

Algo de estranho neste meio? Talvez só “Fear of The Dark”, que não seria abordada nesta turnê, mas, como foi o primeiro show dos ingleses em Mumbai, foi algo perdoável e que deve ter levado os indianos simplesmente à loucura.

Mas, indo mais além, podemos dar uma analisada melhor na escolha do Maiden para este set list, que, além das músicas, trouxe grandes estruturas de palco, prometendo superar tudo o que a banda fez e comparando-se apenas à turnê em que se gravou Live After Death – as gravações do disco foram durante os quatro shows lotados que os ingleses fizeram em Long Beach, nos Estados Unidos. São palavras do guitarrista Dave Murray na Roadie Crew - leiam! Até porque eu escrevo lá! =)

Uma turnê desse tipo é uma chance de única de chutar o balde. Deixar clássicos batidos (tudo bem, clássicos do Iron nunca são batidos...) de lado e apostar naquilo que todos pedem mas que, por coisas do destino, do tipo que se limita pelo “temos que tocar os clássicos, mas temos que promover as novas músicas”, nunca acontece. Olhando o set, não se vê a épica “Alexander The Great”. Uma “22 Acacia Avenue” nem deve ter passado pela mente. Mais à frente, parece que “Caught Somewhre in Time”, “Flight of Icarus” ou, cavocando mais fundo, coisas como “Remember Tomorrow” não apareceram naquela listinha que é sempre toscamente grudada ao chão do palco.

A conclusão é que, mesmo quando Steve Harris e seus companheiros podem sair um pouco daquelas músicas rotineiras, que tocam há quase três décadas, como a faixa-título repetida à EXAUSTÃO, ficam com um pé atrás. Vai saber por qual motivo!? Boas músicas eles têm, bons músicos também e recursos financeiros para mandarem tudo às favas e fazer como querem mais ainda. Comparando às duas últimas passagens no Brasil, quando, em São Paulo tocaram no Pacaembu e, antes, foram ao Rock in Rio, nada mais que oito canções serão repetidas, metade do set indiano.



Mas ídolos são ídolos. Melhor é deixar a bronca de lado. Ninguém vai reclamar de ouvir aqueles clássicos mais uma vez. Ninguém vai deixar de pular em “The Trooper”, muito menos em “Hallowed Be Thy Name”. E até que o bom gosto foi apurado, vai, o problema é que nenhuma das faixas é inédita ao vivo. Mas será de arrepiar ouvir a longa “Rime of the Ancient Mariner” e a abertura com “Aces High”; “Revelation”s será matadora com três guitarras (esta faixa é a em que Bruce Dickinson fez a terceira guitarra no Live After Death!), assim como “Powerslave”. E ainda tenho certeza que a emoção vai tomar conta em “Wasted Years”, com os 40 e tantos mil (pelo menos aqui em São Paulo) pulando até cansar...

Como já disse, ídolos são ídolos, então perdoamos esse excesso de zelo. Vale lembrar que algumas poucas faixas podem mudar de local para local. Mesmo assim, da próxima vez, arrisquem mais um pouquinho!!!

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Você sabia...

... Que a emissora de TV inglesa BBC vetou a exibição do vídeo "Undercover Of The Night", do Rolling Stones, na época do lançamento, em 1983, por achar o clipe demasiadamente violento?

Tudo pelo fato de Mick Jagger ter sido assassinado por um grupo de terroristas, um deles chamado Keith Richards. Mas, claro, tudo na brincadeira, né! Afinal, não se fazem hologramas com rugas tão perfeitas!

O vídeo está logo abaixo, sem censuras, graças à esta maravilha da comunicação chamada YouTube:

O ano em que o metal foi pop no Brasil

Alguns vão dizer 1972, quando Alice Cooper fez o primeiro show internacional no Brasil. Outros vão falar 1983, quando Van Halen (com David Lee Roth) e Kiss (ainda com as máscaras) deram as caras. Mas o ano em que o metal virou algo pop no Brasil foi em 1985.

Nos Estados Unidos, o que pegava era o Glitter Rock (ou Hair Rock, Glam Rock, Hair Metal, Rock Farofa...), com bandas como Kiss, Mötley Crue, Ratt, Quiet Riot, Twisted Sister e Poison falando de safadezas sem vaselina, com solos de guitarra parecendo abelha nervosa no fundo, além do Bon Jovi, Cinderella, Whitesnake e outros na parte mais "romântica".

Já na Europa, vigorava o "The New Wave Of British Heavy Metal", com Iron Maiden, Def Leppard, Girlschool, Mötorhead, Raven, e Saxon entre os grupos mais marcantes. Aqui no Brasil acontecia o nascimento do Rock, como costumam dizer. Bandas como Ultraje a Rigor, Paralamas do Sucesso, Titãs, Legião Urbana, Camisa de Vênus e Capital Inicial davam seus primeiros passos, enquanto Blitz, Raul Seixas e Rita Lee dominavam o mainstream.

Rock pesado? No undergroud paulista rolava o movimento SP Metal, sem muita expressão, além do punk, com direito a manifesto escrito por Clemente, dos Inocentes e, hoje em dia, da Plebe Rude. Nada cronológico, apenas um panorama.



Eis que surge o Rock In Rio com grupos do calibre de AC/DC, Whitesnake, Scorpions, Iron Maiden e Queen, além do queridinho das donas de casa, Rod Stewart, e do pesadelo das mães, Ozzy Osbourne, entre outros, como James Taylor e Nina Hagen.

E isso foi um prato cheio para a desinformada imprensa brasileira. Que, de tanta falta de informação, deu razão para as muitas lendas que contavam para os inocentes, infestando a cabeça dos jovens tupiniquins de merda, literalmente.

O Kiss já havia sofrido muito quando passou por aqui em 1983. As lendas do extermínio de pintinhos com as enormes botas, da simpatia com o demo e do nome da banda (que seria, na verdade, Kids In Satan Service), sem contar a história da maquiagem copiada do Secos & Molhados, chegou a dar um grande prejuízo à banda em MG, onde apenas 18 mil foram ao Mineirão, cercado por religiosos fazendo propaganda contra.

Ozzy foi a vítima preferida da Vênus Platinada. Por exemplo, em uma das matérias sobre seus shows produzidas pela Globo (que transmitiu quase todos os shows), a ignorância rola solta. E começa assim: na introdução do show, rola o clássico "Carmina Burana", mas a narradora diz que "Tudo começa com uma estranha música". Depois, diz que Ozzy foi "o sacerdote do Heavy Metal", "o primeiro cantor do mundo a tirar da garganta o som das trevas" e, que, "desta vez, não trouxe os famosos morcegos". O vídeo está abaixo e tem 1min24s.



Só que a maior diversão da Globo mesmo foi com os pobres metaleiros desinformados. Veja a matéria abaixo, a primeira de três. O repórter vai descrevendo os metaleiros: "Gente que gosta de rock pesado, e curte um visual agressivo. Prego na luva, caveira no peito, suástica no braço e boca parecendo um vampiro depois do jantar... E como gostam de uivar", mostrando um idiota gritando fino.



Mas a tristeza não acaba por aí. Temos pérolas. A abaixo fala sobre os fãs de Ozzy Osbourne. Meu Deus... O primeiro entrevistado está com um cartaz vermelho com um desenho que o mesmo explica: "Esse é o grande Ozzy Osbourne sendo sacrificado por dois demônios das mais profundezas do inferno". Duro né... Mas calma...

Um iluminado de Jacarepaguá, do Meier ou do Realengo decidiu ser metaleiro por um dia e pintou suas calças homenageando uma pessoa, segundo ele, o "o príncipe do desterro, que é justamente destratado... Porque o invencível sempre segue o mais nervoso... BAFI HOMET, O GRAN DUQUE DO INFERNO". Não seria Bafhomet?



Bem, se passaram apenas 47s da matéria, que tem 2min45. E é nessa hora que rola o fantástico diálogo da jornalista com o seguidor de Bafi Homet:

- Tá, e na hora de pedir ajuda, você busca quem? Satã?
- Busco o Gran Duque do Inferno, Bafi Homet.
- Você vive assim?
- Claro...
- Viva Ozzy Osbourne?
- Claro! (E o povo vibra)

Depois desses 52 segundos clássicos, o resto da matéria tem cenas dos fãs de Rita Lee e do show de Moraes Moreira (que cabelinho...).

Para encerrarmos em grande estilo, uma matéria que fala sobre a noite do metal, com show do Scorpions. Fala a mesma baboseira: metais na roupa, caras pintadas, preto, etc. Mas...

... Sempre tem uma figura. "O Metal é um protesto contra a repressão que o jovem vem sofrendo, principalmente no Brasil", diz um rapaz de meia-idade. Sei.

E grandes pérolas não podem faltar. Como Tancredo Neves foi eleito presidente na época, a jornalista, coitada, seguiu a pauta: "Com a posse de Tancredo Neves, vai melhorar a vida do brasileiro?"

Antes do cara responder, aparece um desalmado e grita: "VENOM!". Fantástico. Assim como o rapaz que diz: "Rock tem que ser bem pesado, balançando a cabeça assim", fazendo o gesto da mesma forma como um débil faz. E, como sempre, os idiotas sempre têm espaço na Globo: "Essa aqui é uma saudação ao demônio, nosso pai".

Só que deixei essa matéria para o final, pois nela estão as duas maiores pérolas já ditas sobre Rock, Deus e o Diabo:

- Diabo é diversão pra gente. É sério, saúde, energia!
- E Deus?
- Bem... Deus é o rock!!!



E, para completar, uma criança de dez ou doze anos solta a frase, em rede nacional, que deixaria qualquer papai roqueiro orgulhoso. "Rock pesado é o rock do futuro, o rock da geração jovem!".

É... Reproduzindo o comentário de um desses vídeos, o Brasil era um lugar muito legal...
Dessa você não sabia...
No fim dos anos 60, quando estava prestes a fundar o Aerosmith com Joe Perry e Tom Hamilton, Steven Tyler liderava um grupo chamado Chain Reaction. E um de seus amigos, Henry Smith, passou a trabalhar com o Yardbirds e, posteriormente, com o Led Zeppelin.

Graças a Smith, o Chain Reaction abriu um show do Yardbirds, mas a cena mais curiosa aconteceu anos depois, na primeira turnê do Led Zeppelin nos Estados Unidos, que passou por Boston, terra onde vivia Steven Tyler, que descreve a cena.

"Chorei duas vezes pelo Led Zeppelin. A primeira foi no meio de "Dazed and Confused". Era foda, o clímax. Led Zeppelin era como um bom sexo, mas tão forte que me fez chorar. A outra vez aconteceu uma hora após o show, quando Jimmy Page saiu do camarim com uma bela mulher. Teria ficado bem impressionado, não fosse essa mulher minha namorada na época, Lynn Collins, com quem eu morava junto. E tive um grande visual das minhas roupas sendo atiradas pela janela na 21st Street".

Hoje em dia, Page e Tyler são bons amigos. Ambos tocaram juntos muitas vezes, como no Rock and Roll Hall of Fame de 1994, onde Tyler e Perry se misturaram a Page, Robert Plant e John Paul Jones para cantar "Bring It On Home", que pode ser vista abaixo.

Discos que valem a pena


The Faces - A Nod Is As Good As A Wink...To a Blind Horse...
Rod Stewart - Every Picture Tells A Story


Em 1971, o Faces, já estava na estrada há um ano, com Rod Stewart nos vocais, Ron Wood na guitarra, Ronnie Lane no baixo, Ian McLagan nos teclados e Kenney Jones na bateria, sendo considerada uma das melhores bandas que já surgiram na história do rock.

O grupo vinha de dois discos: First Step e Long Player, onde alcançou notoriedade com clássicos como "Flying", "Wicked Messenger", "Bad N' Ruin", "Sweet Lady Mary" e "Had Me a Real Good Time".

E, curiosamente, Rod Stewart explodia como artista solo gravando dois grandes discos com os mesmos integrantes do Faces, só que atuando como banda de apoio. Nesse tempo, sua voz rouca emplacava um sucesso atrás do outro, como "Man Of Constant Sorrow", Hanbads & Gladrags", do "The Rod Stewart Album", além de quase todas do consagrado "Gasoline Alley".

A fase não podia ser melhor. Mesmo com quatro discos gravados em dois anos (entre The Faces e Rod Stewart), sucesso e prestígio em todo o Reino Unido, eles queriam mais.


O Faces no palco: sintonia perfeita entre Wood, Stewart e Lane


Do lado do Faces, as composições giravam em torno de Stewart, Wood e Lane. A dupla Stewart/Wood estava tinindo e contribuiu com quatro músicas, entre ela a obra-prima "Stay With Me", balada safada composta a base de muito álcool e groupies.

Só que a primeira faixa do disco, "Miss Judy's Farm", a agitada "Too Bad" e "That's All You Need" não ficaram muito atrás. Todas elas cheias de variações, com diversas batidas diferentes dentro da mesma música - marca registrada e diferencial do Faces.

Já Lane compôs duas sozinho ("Last Orders Please" e a bela "Debris"), uma com McLagan ("You're So Rude") e outra com Stewart e Wood (outra balada, "Love Lives Here"). Ele foi responsável pela parte mais calma do disco.

Para completar, "Memphis, Tennessee", uma cover de Chuck Berry. Uma mistura perfeita entre romantismo e safadeza, que encaixava perfeitamente no estilo de Stewart.

"A Nod Is As Good As A Wink..." foi lançado praticamente em conjunto com o terceiro solo do vocalista "Every Picture Tells A Story Glory", que continha a música de sua carreira, "Maggie May", que relata sobre a relação conturbada de um jovem rapaz uma mulher mais velha, além de "Mandolin Wind", "I'm Losing You", sucesso da Motown, "(Find A) Reason To Believe" - todas baladas - e a agitada faixa-título. Claro, com a participação de Wood, Lane, McLagan e Jones. Outro sucesso absoluto do quinteto, pelo menos na prática.

O Faces estava na crista da onda, em seu auge criativo e musical, estrelando tradicionais programas musicais, como o "Top Of The Pops", enquanto Stewart reinava absoluto nas paradas tanto do Reino Unido quanto dos Estados Unidos.

Só que tudo que é bom dura pouco. Com Stewart se dedicando mais à carreira solo, o Faces não conseguiu manter o nível no disco seguinte, "Ooh La La", que emplacou a faixa-título, "Poor Hall Richard" e "You Can Make Me Dance, Sing or Anything", mas não empolgou.

Não demorou muito para o grupo sucumbiu no inverno europeu de 1975, com a saída de Stewart e a adoção de Wood pelos Rolling Stones, e entrar para a história.
E aqui no Brasil...
...Existem duplas como as estrangeiras? Claro! E grandes duplas. Quando pensamos nesta combinação, não há como questionar: Cazuza e Frejat são os melhores.

Muitos vão dizer: "Tá louco? Marcelo Nova e Raul Seixas são mais!"

Só que Cazuza e Frejat era uma bomba repleta de pólvora e com o pavio curto, que explodia nos palcos. As letras fortes e provocativas de Cazuza combinavam perfeitamente com a mistura de rock e blues que corria nas veias de Roberto Frejat.

Ao vivo, os dois conduziam o show e carregavam o público na mão. O Rock in Rio é a maior prova disso. No dia do show do Barão Vermelho, Tancredo Neves havia sido eleito para Presidente, o primeiro civil em mais de vinte anos. E o hino deste momento histórico teve como trilha sonora a faixa "Pro Dia Nascer Feliz".

Na noite do show, foi de arrepiar. Aliás, arrepia até hoje. Dinheiro nenhum paga a carga emotiva que pairou naquele lugar, com 200 mil pessoas, durante seis, sete minutos. "Por um Brasil novo", exclamou Cazuza, para o público ir ao delírio. Fantástico. Eles são de dar inveja a muita banda por aí.

Marcelo Nova e Raul Seixas são um caso a parte. A admiração de Nova por Raulzito e a correspondência mútua pela parte do conterrâneo gerou uma grande amizade e uma parceria que poderia gerar frutos maravilhosos, caso o Maluco Beleza não tivesse falecido, em 1989.

Os dois gravaram um disco, lançado dois dias após a morte de Raul. "A Panela do Diabo" pode ser considerado um dos melhores discos do rock brasileiro, com músicas que já nasceram clássicas, como "Carpinteiro do Universo".

Quer mais uma? Rita Lee e Roberto de Carvalho. Que se conheceram quando Roberto era do Tutti-Frutti, banda que acompanhava Rita. A química foi instantânea. Os dois se casaram, tocam juntos e lançam discos até hoje. "Papai Me Empresta o Carro", "Lança Perfume", entre outras, emplacaram a dupla durante boa parte dos anos 80. Hoje em dia, com o filho Beto, formam um trio de ferro.

Também temos as duplas cujos integrantes se completam. No Ira, Nasi é o interlocutor perfeito para as letras e o ritmo de Edgard Scandurra. Os irmãos Cavalera também merecem entrar nesta lista. Com eles separados, o som do Sepultura nunca mais foi o mesmo.

Existem também algumas outras, só que não tão marcantes como as citadas acima: Marcelo D2 e B-Negão no duelo de rimas do Planet Hemp, Chorão e Champignon no Charlie Brown Jr. e só, creio eu.

Acredito que estamos bem servidos.
Pares perfeitos
Todo músico de rock sonha em encontrar o parceiro perfeito em uma banda. Calma, mas não leve isso para o outro lado. No emaranhado de guitarras, baixo, voz e bateria, muitas duplas se formaram e fizeram história.

Muitas letras e melodias que ecoam nas cabeças de milhões de pessoas ao redor do mundo foram feitas por duplas dinâmicas. E esses duos, além de comporem muito bem, formavam uma mistura explosiva dentro dos palcos.

Podemos chamá-los de pares perfeitos. Eles só funcionam juntos - separados, sem chance. Muitos grupos afundaram quando houve o rompimento desta aliança. E muitos outros sobreviveram apenas com a presença destes dois integrantes vitais.

O que dizer de John Lennon e Paul McCartney? Até hoje, eles são referências. Ou você nunca ouviu a questão: quem será o próximo Lennon/McCartney? Ou esta, partindo da boca de muitos músicos: nosso objetivo era ser igual a Lennon e McCartney.

Provavelmente, estes dois rapazes de Liverpool escreveram as letras mais famosas do rock and roll. O que dizer de "Love Me Do", "She Loves You", "Help", "A Hard Day's Night" e por aí vai...

Quase ao mesmo tempo, apareceram mais duas duplas que ajudaram a mudar a história do Rock: Robert Plant/Jimmy Page e Mick Jagger/Keith Richards. A voz sensual e extremamente aguda de Plant aliada ao virtuosismo de Page, além da criação de músicas míticas, como "Stairway To Heaven" e "Kashmir".

Por outro lado, Jagger e Richards eram o capeta em pessoa. Aventuras femininas, experiências de outro mundo, bebidas e drogas eram o cardápio desta dupla que até hoje incendeia os estádios do mundo todo. As músicas? "I Can't Get No (Satisfaction)", "Tumbling Dice", "Gimme Shelter" e "Sympathy For The Devil", entre muitas outras servem pra você?

Mas nem sempre duplas dinâmicas são sinônimos de muitas composições, mas a performance explosiva em cima de um palco é algo que existe em praticamente todas. Paul Stanley e Gene Simmons têm apenas uma música notória juntos, "Rock and Roll all Nite", mas quando subiam no palco com o Kiss, não havia para ninguém.

E nem sempre duplas dinâmicas são compostas por amigos. Família também pode. O exemplo máximo disso são Malcolm e Angus Young. Nenhum deles canta, mas a "cozinha" do AC/DC não poderia estar em melhores mãos.

O leque é infinito. Vamos para a ala dos narcóticos. Steven Tyler e Joe Perry eram carne e unha no Aerosmith, até uma linha branca separar os dois. O apelido de "Toxic Twins" fazia jus ao ritmo imprimido por ambos. Tyler, por exemplo, só topou entrar numa clínica de desintoxicação se Perry fosse junto.

Outros dois grandes representantes dos entorpecidos são Axl Rose e Slash, do Guns N´ Roses. Enquanto um era viciado no próprio ego (o que se tornou uma grande droga para o futuro da banda), o outro não vivia sem beber e consumiu quantidades cavalares de heroína.

E duplas que não se batem, como David Gilmour e Roger Waters, ou Ian Gillan e Richie Blackmore? Como você pode ver, existem muitos pares perfeitos no rock. Isso que faltou uma porrada de gente muito boa (e de duplas que foram renovadas na mesma banda, como David Lee Roth e Sammy Hagar com Eddie Van Halen, por exemplo). Quem será a próxima dupla Lennon/McCartney?

Difícil, né... O mais fácil é relacionar as melhores que já existiram.

Então aqui vai a minha seleção, sem ordem definida:

John Lennon/Paul McCartney (Beatles)
Mick Jagger/Keith Richards (Rolling Stones)
Paul Stanley/Gene Simmons (Kiss)
Steven Tyler/Joe Perry (Aerosmith)
David Gilmour/Roger Waters (Pink Floyd)
Axl Rose/Slash (Guns N' Roses)
Rod Stewart/Ron Wood (Faces)
David Lee Roth/Eddie Van Halen (Van Halen)
Bruce Dickinson/Steve Harris (Iron Maiden)
Chris/Rich Robinson (Black Crowes)
Anthony Kiedis/Flea (Red Hot Chili Peppers)
Freddie Mercury/Brian May (Queen)
James Hetfield/Lars Ulrich (Metallica)
Pete Townshend/Roger Daltrey (The Who)
Bono/The Edge (U2)
Malcolm/Angus Young (AC/DC)
Zack de la Rocha/Tom Morello (Rage Against The Machine)
Noel/Liam Gallagher (Oasis)

Essas são as que escrevi sem olhar em nenhum lugar. Portanto, as que mais marcaram (ou marcam) pra mim. E, curiosamente, a mais nova delas tem mais de dez anos (no caso, os irmãos do Oasis, que lembrei depois e coloquei pra fazer média, por serem bocudos e se dizerem melhores que os Beatles).

E pra você?

Em tempo: a foto do Axl Rose com Slash é montagem.
Por onde começar?
Sim, este é um blog sobre rock. Apenas rock. Seja ele rockabilly, pop rock, hard rock, glam rock, glitter rock, hair rock, prog rock, indie rock, rock melódico, metal, heavy metal, thrash metal... Quem sabe um samba rock?

Por aqui vamos viajar no mundo deste estilo que fascina e faz história há quase 60 anos, sempre presente em todas as gerações, não importa qual o ritmo do momento. De Bill Haley, Little Richard até os dias de hoje, com Velvet Revolver e White Stripes.

História, resenha de discos, comentários de shows, músicas, vídeos, fotos, notícias atuais... O que não vai faltar é assunto por aqui.

Este é o primeiro post de muitos. Aumente o volume, aperte os cintos e começe sua viagem! Abrimos o show com "Sometimes Salvation", do Black Crowes.